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Eu nunca entrei no famigerado templo da ecumênica Legião da Boa Vontade (LBV) de Brasília. Ele tem um formato piramidal e, por dentro, no centro da nave, há um círculo, de onde saem, entrelaçadas, uma espiral negra e outra branca. Os visitantes entram e começam a percorrer pelo caminho da espiral negra em meditação/oração, de braços abertos e mãos pra cima, até chegar ao centro, e ficar embaixo do que dizem eles ser o maior cristal do mundo. Aí param e recebem a “energia” (ou apenas luz solar, como preferir). Agora, já “iluminados”, andam pela outra espiral, a branca, até chegar à extremidade e se achar perante, nada mais, nada menos, o trono e altar de Deus! (que é uma obra de arte holográfica dos quatro elementos, claro, idênticos)

O mais intrigante da questão é que o próprio arquiteto disse que não projetou esse ritual da caminhada! Como diz o antropólogo José Jorge de Carvalho, em seu texto “Pluralidade Religiosa e Modernidade no Brasil”,  “O que [o arquiteto] fez foi pesquisar construções de templos, em vários textos sobre as religiões do mundo antigo e imaginou o desenho espiralado do piso apenas para fugir da monotonia da cor única. Em princípio, o visitante poderia percorrer o interior da nave em qualquer sentido, linear,circular ou diagonal. Contudo, uma vez inaugurado o templo, viu-se logo que (intuitivamente, pensa ele) as pessoas começaram a seguir seriamente o circuito espiralado. E assim aquela casa, que em princípio não deveria comportar nenhum ritual e servir apenas como um local para meditação e recolhimento, instantaneamente passou a desenvolver seu próprio estilo de exercício espiritual.”

Bom, apenas um comentário pra LBV: QUE DESELEGANTE!

Suposto “trono e altar de Deus”. Parece uns sacrários por aí.

Ah, só como curiosidade, este templo apareceu no filme espírita “Nosso Lar”. Vejam: (aliás, Brasília, com todo seu modernismo, foi uma das bases pra ‘cidade espiritual’ do filme)