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(Tradução Livre) / Roma, Itália, 26 de maio de 2012 (CNA).- O Cardeal Christoph Schönborn, de Viena, acredita que o pequeno mas crescente número de famílias de fiéis Católicos na Europa pode renovar a Fé Católica no continente.

Cardeal Schonborn

“Vejo nossas jovens famílias, confiantes, com quatro ou cinco ou seis ou mais filhos, e como eles vivem em meio a essa sociedade – eles são realmente a Nova Evangelização, não através de palavras, mas através do fato de estarem vivendo a felicidade de uma família que tem fé,” disse a ele a CNA no dia 14 de maio, em Roma.

“Somos agora uma minoria – os Cristãos batizados na Áustria chegam a 70%, mas os Católicos praticantes são apenas 10% – porém, se esses 10% forem convincentes e convictos, eles podem mudar o país, assim como aconteceu com o Império Romano.”

Uma chave para o sucesso da Nova Evangelização, afirmou, é o trabalho de vida de seu antigo tutor e amigo o Papa Bento XVI, cujo principal legado ele acredita que será eventualmente resumido em três palavras – “Fides et Ratio” (Fé e Razão).

“Desde o princípio de seu ministério, o Papa tem sublinhado que a Fé Cristã, a Vida Cristã antes de tudo não é uma série de doutrinas, não uma série de regras, mas uma amizade profunda com Jesus. Ele (o Papa) está certo de que sem fé não se pode entender a Moral Cristã. Sem fé não se pode compreender a Vida Cristã. E, portanto, acho que o maior desafio é realmente aprofundar a nossa fé. Chame isso de nova evangelização, chame de missão – eu acho que tem muito a ver com a conversão,” disse o Cardeal.

“Diria que ele tem essa tremenda capacidade de mostrar, de fazer perceptível a coerência de nossa Fé,” disse o cardeal, que estudou no início dos anos 70 com o então Prof. Ratzinger na Universidade de Regensburg, na Alemanha.

Essa habilidade, propôs, permite ao Papa Bento apresentar os ensinamentos da Fé Católica não “como tijolos que você deve carregar nos ombros, “mas uma vida, que é coerente, que corresponde aos desejos do coração, os verdadeiros desejos do coração, que corresponde à realidade, aquilo que é verdadeiro na vida, isto é, que é verdadeiro na doença, verdadeiro em situações de dor, e até é verdadeiro quando você morre.”

O Cardeal Schönborn na verdade, credita uma homilia especial do Cardeal Ratzinger, em dezembro de 1979, como formadora de sua compreensão do papel de um teólogo na Igreja.

“Na época eu tinha 34 anos e ensinava dogmática na Suíça, e ele falou sobre ‘a fé dos pequeninos’ e como o Magistério da Igreja deve defender a ‘fé dos pequeninos’.”

Desde então, os dois tem frequentemente cooperado em seu trabalho, incluindo, de maneira notável, na criação do Catecismo da Igreja Católica em 1992. O Cardeal Schönborn também é um participante habitual do “Ratzinger Schülerkreis” (grupo de estudos do Ratzinger), um grupo de antigos estudantes que ainda se encontra todo verão com seu antigo mentor acadêmico.

O cardeal explicou como sua maior alegria no episcopado tem sido sempre “encontrar uma profunda fé nos pequeninos,” até mesmo se eles forem “realmente grandes como o Papa Bento ou João Paulo II, mas que diante de Deus são pequeninos”.

Um otimista perseverante, o Cardeal Schönborn também acredita que ainda há “uma profunda fé no mundo”, incluindo na Europa, “onde exteriormente falando a fé parece desaparecer, mas ainda há muitos profundamente crentes; e nós devemos alimentar a sua fé”.

Ele está atualmente em Roma para um encontro trimestral da Congregação para a Doutrina da Fé, da qual ele é membro. Curiosamente, um dos problemas mais persistentes do departamento vem dos contínuos protestos de padres e leigos austríacos que exigem uma liberalização dos ensinamentos da Igreja. Cerca de 7,5% dos 4000 clérigos austríacos fazem parte da iniciativa que no último mês de Junho publicou o “Call for Disobedience” (Chamada de Desobediência).

“Não deprecio a geração mais velha; eu mesmo tenho agora 67, então pertenço a essa geração,” comentou o cardeal, “mas é surpreendente ver que nesses movimentos, seja naquela iniciativa leiga ‘Nós somos Igreja’, seja nos padres que protestam, praticamente não há padres jovens”.

Ele acha que a raiz do problema é “uma certa nostalgia” entre os clérigos mais velhos que “realmente pensam que ‘se a Igreja fosse um pouco mais liberal, finalmente poderíamos respirar, e a Igreja ficaria cheia novamente e a aceitação da Igreja seria como nos anos 50 e 60’.”

Mas o Cardeal Schönborn chamou esse pensamento de “sonhador” e “iludido”.

A questão atingiu proeminência global na Quinta-feira Santa quando o Papa Bento XVI falou, em sua Homilia na Missa do Crisma na Basílica de São Pedro, para publicamente repreender as ações dos dissidentes.

“Quando a ‘Chamada a Desobediência’ foi publicada,” explicou o Cardeal Schönborn, “nós dissemos que a palavra desobediência não pode manter-se de pé porquê não se pode construir uma vida Eclesial baseada na desobediência. Sanções maiores ainda não foram dadas porquê ainda acreditamos na possibilidade de um diálogo pessoal, mas também dissemos claramente: vocês terão que decidir-se.”

Alguns observadores criticaram o cardeal por não tomar sérias atitudes contra aqueles que pretendem mudar a doutrina da Igreja.

Quando perguntou-se-lhe se a hora de agir estava chegando, o Cardeal respondeu: “Deus é imensamente paciente, mas o perigo é que isso está provocando confusão entre os fiéis, e portanto acho que chegou a hora de tomar uma decisão.”

Outra questão que tem colocado o Cardeal de Viena nas manchetes globais foi a sua decisão no mês passado de não vetar a eleição de um homem abertamente homossexual que vive com um parceiro para um conselho paroquial no âmbito da Arquidiocese.

“Eu decidi por razões muito precisas, as quais não estou pronto para expor a todos, que esta eleição estava terminada. Eu não a revogarei. Deixarei estar,” disse o cardeal.

Ele também rejeitou fortemente qualquer sugestão que esta decisão teria ido contra os ensinamentos da Igreja sobre homossexualidade.

Inicialmente o Cardeal Schönborn pretendia intervir com o corpo de supervisores responsável pelas eleições para vetar a seleção de Florian Stangl, 26 anos, da vila de Stutzenhofen no norte da Áustria.

Mas depois de uma semana de consultas e encontros com o jovem, o Cardeal Schönborn decidiu não interferir.

O acontecido “não deve, certamente, absolutamente ser entendido como uma mudança do ensinamento da Igreja sobre homossexualidade”, comentou. “Podem acreditar em mim, eu fui o Editor Geral do Catecismo da Igreja Católica, e dos ensinamentos do Catecismo, especialmente no que diz respeito a esse assunto.”

Ele disse que lamentava que “na blogosfera e no mundo virtual” todos pensam que podem “julgar a situação sem conhecer os detalhes precisos, mas nosso mundo é assim mesmo.”

“Sem entrar em detalhes, podem acreditar em mim que, como Pastor, tive uma conversa muito clara com esse jovem, e estou certo de que ele é um jovem fiel em uma situação difícil”

Disse que, de acordo com sua experiência de muitos anos, “se uma pessoa que sente atração por outros do mesmo sexo descobre uma amizade verdadeira e casta, esta pode ser uma verdadeira saída, uma verdadeira saída desta situação que na maioria das vezes é uma dramática destruição de si mesmo.”

“Viver na promiscuidade é realmente inumano e destrutivo para a pessoa”, observou o cardeal austríaco.

E ele vê que há uma necessidade por “boas comunidades onde as pessoas não são julgadas imediatamente, mas também não são automaticamente tidas como certas. É preciso achar o termo certo entre aceitar a pessoa como o Catecismo manda, mas sendo claro sobre a prática homossexual. Mostrar à pessoa que ele é estimado, amado, e não obstante, no momento certo, mostrá-lo que não está no caminho certo”.

“Então, guiar uma pessoa numa situação difícil é sempre uma verdadeira arte. Nós devemos ser muito claros em nossos princípios e muito humanos nos passos desses princípios,” disse o cardeal. “Como o Papa Bento sempre nos lembra: não é possível entender o ensinamento da Igreja sem ter uma verdadeira relação com Jesus Cristo.”

Patriota com orgulho, o Cardeal Schönborn pareceu deveras frustrado com a imagem midiática da Áustria Católica como dissidente e protestante. Para ele, esse estereótipo “não é a vida da Igreja.”

“Vá a Mariazell, o santuário nacional, que também é o santuário dos húngaros e eslavos, e verá o que está no coração do povo da Áustria – o amor por Nossa Senhora,” disse ele.

Fonte original: http://www.catholicnewsagency.com/news/cardinal-schonborn-a-faithful-catholic-minority-can-re-convert-europe/